Albano Jerónimo abre o jogo sobre o vilão complexo que interpreta em 'A Madrasta'

Albano Jerónimo está de volta à TVI com tudo o que tem para dar. Mais de dez anos se passaram desde a última vez que trabalhou no canal, e agora surge na nova novela 'A Madrasta', que começou esta semana. O ator vive Pedro, marido de Diana (interpretada por Inês Castel-Branco), um personagem repleto de enigmas, contradições e propósitos obscuros que o transforma num dos principais antagonistas da história.
Numa conversa com a TV 7 Dias, Albano partilhou detalhes sobre o seu regresso ao pequeno ecrã, a forma como trabalha, as lições que guardou de Manuela de Freitas e como se relaciona com papéis eticamente complicados. Por enquanto, o ator também marca presença na SIC, onde dá corpo a Henrique na novela 'Vitória'.
Um regresso esperado depois de mais de uma década
O facto de Albano Jerónimo voltar à TVI é notícia importante. O intérprete confessou que o intervalo sem trabalhar no canal ultrapassava os dez anos, mas que recebeu este retorno com entusiasmo natural. Para ele, a possibilidade de trabalhar em diferentes canais — TVI, SIC e RTP — representa uma vantagem profissional que considera fundamental.
"Assim é, não fazia nada na TVI há mais de dez anos. É sempre bom voltar aos sítios onde já trabalhei. Como amanhã posso voltar à RTP. Quando somos todos profissionais, é sempre saudável voltarmos ao sítio onde já trabalhamos", comentou, deixando claro que não sente qualquer tipo de exclusividade perante um único operador, mas sim uma disponibilidade total para se envolver em projetos que o desafiem artisticamente.
Pedro: o vilão que faz tudo pelos filhos
Em 'A Madrasta', novela criada por Maria João Mira, Albano dá vida a Pedro, um personagem que promete ser um dos mais intrigantes da narrativa. Trata-se de um homem com múltiplas dimensões, carregado de segredos e contradições, cuja força motriz é a proteção incondicional dos filhos, mesmo que para isso tenha de agir de forma moralmente questionável ou contra todos à sua volta.
Durante as gravações, o ator divertiu-se bastante tanto com os colegas como com toda a equipa, descrevendo o personagem como um verdadeiro desafio dramatúrgico pela sua riqueza e ambiguidade moral.
"Esta personagem baseia-se fundamentalmente num princípio: os filhos. Ele vai fazer tudo e agir contra todos para os proteger. Isso às vezes leva-me a tomar decisões mais ou menos corretas", explicou, sugerindo um percurso narrativo repleto de tensão e conflito que manterá os espectadores presos ao ecrã.
A filosofia de interpretar papéis sombrios
A metodologia de Albano Jerónimo para preparar os seus papéis assenta numa escuta profunda e num estudo minucioso do texto. O ator começa sempre pela leitura atenta do guião e pelo trabalho em conjunto com os colegas, seja em teatro, cinema ou televisão.
Inspirado nos ensinamentos de Manuela de Freitas, Albano acredita que a verdadeira representação passa por descobrir em si próprio todas as camadas da experiência humana, incluindo as mais negras e perturbadoras. Esta abordagem torna-o particularmente apto para personagens como Pedro, que habitam uma zona cinzenta moralmente.
"Tenho tudo o que é mau e é péssimo e horrível dentro de mim, assim como tenho o que é ótimo e maravilhoso. O segredo é tentar abrir, preparar-me e escutar para deixar sair essas coisas", revelou, sintetizando a sua visão da representação como um exercício de autoconhecimento e exposição controlada das várias facetas humanas.
Duas novelas, dois canais, uma brincadeira sobre cabelo
Enquanto brilha na TVI com 'A Madrasta', Albano Jerónimo também marca presença na SIC através de 'Vitória', onde interpreta Henrique. Esta situação de trabalhar simultaneamente em dois canais rivais é rara na televisão portuguesa e demonstra bem o prestígio do qual o ator goza junto dos diferentes operadores nacionais.
Quando questionado sobre qual das duas novelas vê em casa, Albano brincou com a diferença de tonalidade do cabelo entre os dois personagens como critério de escolha. O ator reconheceu ainda que, na prática, tem muito pouco tempo disponível para ver televisão, realidade compreensível tendo em conta a intensidade do trabalho em dois projetos em paralelo.
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