A mensagem de Pedro Chagas Freitas que tem marcado presença nas arquibancadas do futebol miúdo

Uma carta aberta de Pedro Chagas Freitas dirigida aos progenitores que assistem aos encontros dos seus filhos está a gerar bastante conversa entre os frequentadores das bancadas do futebol infantil.
O comunicador começa por valorizar o simples facto de os pais estarem presentes: "Antes de mais, deixo-vos os parabéns: estão presentes, acompanham os vossos meninos, as vossas meninas. Quando eu era criança, era eu que estava lá em campo e tinha os meus pais na bancada em todos os jogos. Fosse onde fosse. Era tão feliz sempre que entrava e os via lá. Sentia-me amado, seguro, apaixonado por quem estava apaixonado por mim".
Contudo, Chagas Freitas deixa claro que a presença não deve vir acompanhada de ruído constante. Os miúdos, sustenta, não carecem de gritos da plateia, nem de instruções gritadas de cima, muito menos de críticas ao técnico. O verdadeiro papel dos pais é estar ali, funcionando como referência: "Precisam que estejam lá. Precisam que sejam na bancada o que precisam que sejam na vida: pais. É essa a vossa função. Não é coisa pouca."
O exemplo emerge como instrumento fundamental nesta dinâmica educativa. "Educar é sempre pelo exemplo. Não há outra maneira." A observação de comportamentos nas arquibancadas deixa marcas profundas nas crianças: "Se uma criança vê o pai levantar-se e a insultar um árbitro, aprenderá que a agressividade é um caminho. Se ouve a mãe a criticar o treinador, concluirá que a autoridade é algo que pode ser colocado em causa."
Ampliando a perspectiva, o comunicador questiona o próprio propósito do futebol para os mais novos. "O futebol infantil não tem de ser sobre táticas, resultados; tem de ser sobre aprender a ser uma pessoa melhor." Simultaneamente, avisa contra expectativas desproporcionadas: "Não olhem para os vossos filhos como olham para o Cristiano Ronaldo."
A experiência deve manter-se descontraída e autêntica. Os miúdos estão ali para se divertir com uma bola, para gargalharem, para viverem plenamente, não para assegurar o futuro financeiro da família daqui a duas décadas. "Uma bancada de um jogo de crianças não pode ser um púlpito de raiva; tem de ser uma fábrica de empatia. Ali o jogo não vos pertence; pertence aos vossos filhos".
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