Pedro Chagas Freitas comove com carta escrita através dos olhos do filho Benjamim

Num exercício de escrita profundamente emotivo, Pedro Chagas Freitas criou um texto que imagina as palavras de Benjamim, o seu filho, endereçadas à mãe. A mensagem é um retrato íntimo e comovente que começa com uma observação tocante: "Mãe, acho que tens um superpoder discreto. Quando estive no hospital, tu estavas sempre lá. Às vezes eu fingia que estava a dormir, mas estava só a ver-te. Tu ajeitavas a cama, vias se estava bem protegido, mexias nos lençóis, olhavas para mim. Nunca percebi bem o porquê. Devias estar a ver se eu ainda estava ali".
O texto prossegue com a perspetiva de uma criança que compreende a coragem da mãe durante os momentos mais desafiantes: "Eu sei que foi difícil. Houve dias em que tu sorriste mesmo quando não querias. Isso é uma coisa muito grande. Eu percebia, mas ao mesmo tempo acreditava no teu sorriso. Era estranho. Funcionava." Benjamim descreve a complexidade da figura materna, capaz de ser simultaneamente forte e delicada: "Tu és muito forte. Também és muito macia. Quando me fazes festas na cabeça, quando te ris comigo de coisas parvas. Tu e o pai fazem isso muitas vezes. A casa é um parque de diversões meio improvisado. Um ninho de pândega. Eu gosto dessa palavra. Parece uma coisa que não pode cair."
A carta continua a retratar os cuidados quotidianos, aqueles gestos pequenos mas essenciais que marcam a presença maternal: "Dizes-me para comer, para beber água, para descansar, para não esquecer isto ou aquilo. Às vezes digo que não quero, mas depois faço. Sei que tu sabes melhor. É um bocado irritante." Mas talvez o momento mais revelador seja quando Benjamim expressa o valor do silêncio compartilhado: "Gosto quando te sentas ao pé de mim sem dizer nada. Não é preciso falares. Ficas só ali. Basta. Fica tudo mais pequeno e mais seguro."
Já no encerramento, o tom torna-se ainda mais direto e genuíno, mantendo a simplicidade que caracteriza toda a mensagem: "Desculpa. Gostas de ser discreta. Não gostas muito que falem de ti. Desculpa estar a falar de ti a toda a gente. É só hoje. Prometo. Acho que às vezes as palavras bonitas fazem a nossa vida ser mais bonita. Tu és tão bonita, mãe. Eu gosto muito de ti. Mesmo muito. Tanto que nem consigo explicar bem. Feliz dia de ti. Amo-te. Do teu filho para sempre, Benjamim".
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