sábado, 18 de julho de 2026

Pedro Chagas Freitas comove com carta escrita através dos olhos do filho Benjamim

3 de maio de 2026
Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas

Num exercício de escrita profundamente emotivo, Pedro Chagas Freitas criou um texto que imagina as palavras de Benjamim, o seu filho, endereçadas à mãe. A mensagem é um retrato íntimo e comovente que começa com uma observação tocante: "Mãe, acho que tens um superpoder discreto. Quando estive no hospital, tu estavas sempre lá. Às vezes eu fingia que estava a dormir, mas estava só a ver-te. Tu ajeitavas a cama, vias se estava bem protegido, mexias nos lençóis, olhavas para mim. Nunca percebi bem o porquê. Devias estar a ver se eu ainda estava ali".

O texto prossegue com a perspetiva de uma criança que compreende a coragem da mãe durante os momentos mais desafiantes: "Eu sei que foi difícil. Houve dias em que tu sorriste mesmo quando não querias. Isso é uma coisa muito grande. Eu percebia, mas ao mesmo tempo acreditava no teu sorriso. Era estranho. Funcionava." Benjamim descreve a complexidade da figura materna, capaz de ser simultaneamente forte e delicada: "Tu és muito forte. Também és muito macia. Quando me fazes festas na cabeça, quando te ris comigo de coisas parvas. Tu e o pai fazem isso muitas vezes. A casa é um parque de diversões meio improvisado. Um ninho de pândega. Eu gosto dessa palavra. Parece uma coisa que não pode cair."

A carta continua a retratar os cuidados quotidianos, aqueles gestos pequenos mas essenciais que marcam a presença maternal: "Dizes-me para comer, para beber água, para descansar, para não esquecer isto ou aquilo. Às vezes digo que não quero, mas depois faço. Sei que tu sabes melhor. É um bocado irritante." Mas talvez o momento mais revelador seja quando Benjamim expressa o valor do silêncio compartilhado: "Gosto quando te sentas ao pé de mim sem dizer nada. Não é preciso falares. Ficas só ali. Basta. Fica tudo mais pequeno e mais seguro."

Já no encerramento, o tom torna-se ainda mais direto e genuíno, mantendo a simplicidade que caracteriza toda a mensagem: "Desculpa. Gostas de ser discreta. Não gostas muito que falem de ti. Desculpa estar a falar de ti a toda a gente. É só hoje. Prometo. Acho que às vezes as palavras bonitas fazem a nossa vida ser mais bonita. Tu és tão bonita, mãe. Eu gosto muito de ti. Mesmo muito. Tanto que nem consigo explicar bem. Feliz dia de ti. Amo-te. Do teu filho para sempre, Benjamim".

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