Conceição Queiroz fala sobre o "racismo intelectual" e revela planos de maternidade

Conceição Queiroz esteve no "The Leite Show", apresentado por Flávio Furtado, para uma conversa mais intimista, deixando de lado o registo jornalístico habitual e abrindo-se sobre aspetos da sua vida pessoal longe das câmaras.
Um dos temas principais foi a maternidade. A jornalista não ocultou o seu desejo antigo de ser mãe através da adoção. "Desde sempre. Vou, em princípio, adotar, acho que sim", declarou, contando que este projeto está a ser desenvolvido com o seu companheiro atual, um naturopata que se mantém afastado da vida pública. "Consegui convencê-lo. Ele não tinha essa ideia, mas eu sempre pensei nisso. Mesmo que tivesse filhos biológicos, não queria deixar de adotar uma criança", partilhou.
Contudo, o processo em Portugal levanta dúvidas. Conceição Queiroz gostaria de acolher uma criança com cerca de seis anos, mas o tempo de espera a preocupa. "Agora estou preocupada com o tempo de espera médio em Portugal para a adoção", admitiu.
Durante a entrevista, a jornalista recordou um momento tenso ocorrido durante uma transmissão ao vivo. Um incidente com uma mulher que a abordou de forma agressiva quase escalou para violência. Conceição Queiroz questiona como a situação teria sido interpretada se ela fosse uma mulher negra em contexto diferente: "Se fosse uma mulher negra, naquela situação, o que é que se diria? Selvagens, guerra preta, etc. Como foi aquela senhora, o que eu ouvi foi 'não ligues, não faças caso, é uma indigente'".
A agressora dirigiu-lhe frases ofensivas como "para as obras" e "para a sua terra", provocando uma reação imediata. "A certa altura eu tinha o microfone na mão direita, passo para a mão esquerda e empurrei-a de facto. Como quem diz, afasta-te de mim. Ela estava em cima de mim", relatou.
Refletindo sobre estes episódios, Conceição Queiroz identificou um padrão perturbador: "Existe uma frustração e incomoda, de facto. Uma mulher negra que se posiciona, que se projeta intelectualmente, incomoda muita gente. Eu chamo de racismo intelectual".
A jornalista exemplificou com situações concretas: "Se a mulher negra dançar e cantar, o pessoal bate palmas (…) Se tu vais extravasar aquele ponto e entras num outro campo… Eu dou aulas no ensino superior. As pessoas chegam a olhar para mim a tentar saber para confirmar se eu realmente trabalhava desde 1994".
Nas redes sociais, as críticas são recorrentes, mas Conceição Queiroz não fica calada. Respondendo a um comentário ofensivo, afirmou: "Eu disse 'olha, tenho talento, beleza, inteligência, tudo aquilo que o senhor nunca terá'".
Quanto aos que questionam o seu percurso profissional, a resposta é clara: "Faço o meu trabalho bem feito. Sou ótima naquilo que faço. Sou a jornalista mais premiada da TVI e da CNN Portugal".
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