sábado, 18 de julho de 2026

Conceição Queiroz fala sobre o "racismo intelectual" e revela planos de maternidade

21 de junho de 2026
Conceição Queiroz
Conceição Queiroz

Conceição Queiroz esteve no "The Leite Show", apresentado por Flávio Furtado, para uma conversa mais intimista, deixando de lado o registo jornalístico habitual e abrindo-se sobre aspetos da sua vida pessoal longe das câmaras.

Um dos temas principais foi a maternidade. A jornalista não ocultou o seu desejo antigo de ser mãe através da adoção. "Desde sempre. Vou, em princípio, adotar, acho que sim", declarou, contando que este projeto está a ser desenvolvido com o seu companheiro atual, um naturopata que se mantém afastado da vida pública. "Consegui convencê-lo. Ele não tinha essa ideia, mas eu sempre pensei nisso. Mesmo que tivesse filhos biológicos, não queria deixar de adotar uma criança", partilhou.

Contudo, o processo em Portugal levanta dúvidas. Conceição Queiroz gostaria de acolher uma criança com cerca de seis anos, mas o tempo de espera a preocupa. "Agora estou preocupada com o tempo de espera médio em Portugal para a adoção", admitiu.

Durante a entrevista, a jornalista recordou um momento tenso ocorrido durante uma transmissão ao vivo. Um incidente com uma mulher que a abordou de forma agressiva quase escalou para violência. Conceição Queiroz questiona como a situação teria sido interpretada se ela fosse uma mulher negra em contexto diferente: "Se fosse uma mulher negra, naquela situação, o que é que se diria? Selvagens, guerra preta, etc. Como foi aquela senhora, o que eu ouvi foi 'não ligues, não faças caso, é uma indigente'".

A agressora dirigiu-lhe frases ofensivas como "para as obras" e "para a sua terra", provocando uma reação imediata. "A certa altura eu tinha o microfone na mão direita, passo para a mão esquerda e empurrei-a de facto. Como quem diz, afasta-te de mim. Ela estava em cima de mim", relatou.

Refletindo sobre estes episódios, Conceição Queiroz identificou um padrão perturbador: "Existe uma frustração e incomoda, de facto. Uma mulher negra que se posiciona, que se projeta intelectualmente, incomoda muita gente. Eu chamo de racismo intelectual".

A jornalista exemplificou com situações concretas: "Se a mulher negra dançar e cantar, o pessoal bate palmas (…) Se tu vais extravasar aquele ponto e entras num outro campo… Eu dou aulas no ensino superior. As pessoas chegam a olhar para mim a tentar saber para confirmar se eu realmente trabalhava desde 1994".

Nas redes sociais, as críticas são recorrentes, mas Conceição Queiroz não fica calada. Respondendo a um comentário ofensivo, afirmou: "Eu disse 'olha, tenho talento, beleza, inteligência, tudo aquilo que o senhor nunca terá'".

Quanto aos que questionam o seu percurso profissional, a resposta é clara: "Faço o meu trabalho bem feito. Sou ótima naquilo que faço. Sou a jornalista mais premiada da TVI e da CNN Portugal".

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