sábado, 18 de julho de 2026

Helena Sacadura Cabral abre o coração sobre a morte do filho Miguel

24 de abril de 2026
Helena Sacadura Cabral, Estamos em Casa
Helena Sacadura Cabral, Estamos em Casa

Com 91 anos, Helena Sacadura Cabral decidiu abrir-se nas redes sociais para relembrar um dos episódios mais dolorosos da sua vida. Na sexta-feira, dia 24 de abril, a escritora partilhou um testemunho profundamente pessoal sobre a perda do seu filho Miguel.

O filho da mãe de Paulo Portas faleceu aos 53 anos, vítima de cancro do pulmão, precisamente no dia 24 de abril de 2012, tendo partido nos braços de Helena. A perda marcou profundamente a trajetória da escritora, que recordou como Miguel dedicou quase toda a sua vida adulta à política, desde os 12 anos de idade.

"Desde os 12 anos foram quase exclusivamente dedicados à política. Não foram fáceis esses anos de 'esquerda', em que os estudos ficavam sempre em segundo lugar", refletiu Helena sobre o percurso intenso do filho, onde as prioridades políticas e culturais se sobrepuseram aos compromissos académicos.

A mãe revelou ainda que a ausência de Miguel nunca deixou de a acompanhar ao longo dos anos. Confessou que apenas conseguiu chorar verdadeiramente pela morte do filho muito tempo depois de ocorrer. Helena atribui esta dificuldade ao facto de a morte ter sido apropriada pela vida pública e política, perdendo a intimidade que deveria ter caracterizado o luto familiar.

Um detalhe tocante marca o testemunho: o último pedido que Miguel fez à mãe foi que não se deixasse consumir pela tristeza. "O último pedido que me dirigiu foi que eu não virasse 'mãe chorosa' e que, pelo contrário, andasse para a frente com a minha vida", recordou Helena, garantindo que cumpriu essa vontade.

Apesar da dor causada pela falta de privacidade durante o luto, Helena reconhece que o filho viveu a vida que desejou, do modo que escolheu e ao lado de quem quis. "Por muito que me tenham doído algumas escolhas que fez, o meu coração vive apaziguado pela sua felicidade, o meu bem mais precioso", concluiu a escritora, revelando uma aceitação que só o tempo conseguiu trazer.

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