sábado, 18 de julho de 2026

Inês Castel-Branco e Matilde Reymão revelam o lado emocional de "A Madrasta"

19 de junho de 2026
Matilde Reymão, Inês Castel-Branco
Matilde Reymão, Inês Castel-Branco

Inês Castel-Branco e Matilde Reymão visitaram o programa "Dois às 10" para conversar sobre "A Madrasta", a próxima grande aposta de ficção da TVI. Durante a entrevista, as atrizes foram brutalmente honestas sobre o custo emocional que as gravações cobram delas.

Cristina Ferreira não perdeu tempo e foi direto ao assunto, questionando como o público muitas vezes não compreende o sacrifício envolvido. "As pessoas não entendem, quem vê só a novela, que para vocês se transformarem naquilo que não são, às vezes dói." Inês respondeu com total franqueza, descrevendo a intensidade do trabalho: "Sim. Muitas vezes passo dias inteiros a chorar. Inteiros. Saio de lá destruída."

Do medo inicial à confiança

Quando questionada sobre como é possível chorar por situações que não se viveu na realidade, Inês refletiu sobre sua evolução profissional ao longo dos anos. "Quando eu era nova, quando eu comecei, tinha pânico das cenas de choro. Mal via que ia haver uma cena de choro, ficava a semana toda a pensar naquilo."

Matilde complementou, lembrando sua própria insegurança inicial: "Como é que eu vou chorar?" Com o tempo e a experiência acumulada, ambas encontraram respostas. Inês concluiu: "Agora já é assim. A bagagem também traz-te tudo."

Memórias da infância

O tema da novela levou a conversa para um terreno mais pessoal. Inês compartilhou como vivenciou uma situação semelhante na vida real, lembrando-se da separação dos pais quando tinha apenas 8 anos. A relação com a madrasta naquela época foi complicada, marcada por sentimentos conflituosos.

"A minha primeira madrasta, eu não lhe fiz nada. A sensação que eu tenho é que não lhe fiz nada a vida fácil. E que eu tinha, mesmo quando gostava dela, não queria gostar."

A atriz explicou que sua resistência em aceitar aquela relação estava profundamente ligada à lealdade que sentia pela mãe. "Chegava a casa e dizia à minha mãe que não gostava nada dela, porque não queria magoar a minha mãe. É uma gestão de sentimentos." Inês descreveu o conflito interno como uma espécie de traição: "Estás a trair a tua mãe se gostas da tua madrasta. É estranho, mas eu lembro-me de ter essa sensação."

Quebrando o ciclo

As experiências da infância deixaram marcas profundas que influenciaram suas escolhas como adulta. Quando enfrentou seu próprio divórcio, Inês optou por um caminho diferente: "Eu sou muito amiga do meu ex-marido e consigo estar com a namorada dele, ele com a minha namorada. Não queria que o meu filho sofresse o que nós sofremos."

Antes de finalizar, a atriz deixou uma reflexão valiosa sobre a importância da harmonia entre os pais para o bem-estar das crianças: "Quando os pais acabam bem e são amigos, tudo é fácil."

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