sábado, 18 de julho de 2026

Isaltino Morais abre o coração sobre a prisão: "O sofrimento do meu filho foi o meu maior tormento"

8 de maio de 2026
Isaltino Morais
Isaltino Morais

Isaltino Morais foi convidado para o programa Alta Definição no passado sábado, numa conversa profunda e emocional moderada por Daniel Oliveira. Durante o encontro, o autarca de Oeiras não se coibiu de partilhar os capítulos mais desafiantes da sua existência, nomeadamente a fase em que se viu privado da liberdade entre 2013 e 2014.

Após ser condenado por fraude fiscal e branqueamento de capitais, Isaltino Morais permaneceu 14 meses no Estabelecimento Prisional da Carregueira. Porém, o que verdadeiramente o marcou não foi o seu próprio sofrimento, mas antes o peso que isso representou para os seus, especialmente para o filho mais novo.

A dor refletida nos olhos do filho

Quando confrontado sobre o aspecto mais penoso desse período, Isaltino não hesitou. O seu filho tinha apenas 12 anos naquela altura, e foi precisamente nisso que se concentrou a sua angústia. "O meu maior sofrimento não era eu", começou por declarar.

O presidente da autarquia oeirense explicou que sempre encarou o sofrimento como parte do desenvolvimento humano e da construção da resiliência pessoal. Contudo, admitiu ter uma dificuldade muito maior em lidar com a angústia das pessoas que ama. "Acho que já demonstrei que sou capaz de suportar sofrimento. O sofrimento faz parte do nosso crescimento e da nossa capacidade de resistência. Agora, eu tenho muito mais dificuldade em lidar com o sofrimento dos outros", confessou durante a conversa.

Sábados na prisão

As visitas semanais do rapaz tornaram-se momentos particularmente intensos para ambos. "Ele ia visitar-me todos os sábados", recordou Isaltino. Porém, o autarca sabia que aquele ambiente era extremamente difícil para a criança. "Eu sabia que para ele aquilo era insuportável. Sempre que entrava na prisão, dizia à mãe que não conseguia suportar aquilo", revelou.

Apesar da idade tenra, o filho demonstrou uma força emocional notável naquele período turbulento. "Era uma criança de 12 anos, mas resistiu, aguentou e foi", afirmou com admiração.

O apoio das chamadas diárias

Um dos pilares que sustentou ambos durante essa fase foram as conversas telefónicas diárias às seis da tarde. Isaltino explicou que esses momentos se tornaram essenciais para manter a estabilidade emocional de cada um. "Estimulávamo-nos um ao outro", disse.

O filho aproveitava frequentemente as chamadas para partilhar as suas conquistas escolares. "Ele dizia-me: 'Papá, tive 17, 18 ou 19 valores'", recordou com emoção visível.

Apesar de estar internamente devastado, Isaltino garantia que projetava entusiasmo e alegria. "Por dentro estava completamente destruído, mas exteriorizava uma alegria enorme", confessou.

Essas trocas tornaram-se vitais para ambos. "Alimentávamo-nos um ao outro. Ele alimentava-me com as conquistas dele e eu transmitia-lhe toda a minha satisfação", explicou o presidente da Câmara.

Uma marca que ficará para sempre

Refletindo sobre o impacto dessa vivência no desenvolvimento do filho, Isaltino é convicto de que o jovem desenvolveu uma resiliência extraordinária. "Não tenho dúvidas de que ele foi forjado numa resistência que o marcou para toda a vida", afirmou.

O autarca também recordou que o filho enfrentou diferentes reações no ambiente escolar. "Havia colegas que o compreendiam e o acarinhavam, mas também existiam outros que olhavam para ele de lado", contou. Ainda assim, o rapaz nunca lhe falou diretamente sobre essas dificuldades.

As palavras que davam força

Perto do final da abordagem a este tema sensível, Isaltino relembrou uma frase que o tocava profundamente durante aquelas chamadas. "Quando chegava a hora da chamada, eu ouvia: 'Papá, tenho uma boa notícia para ti'", contou.

Essas simples palavras eram suficientes para lhe restituir alguma força. "Eu não precisava de mais conversa. Nem ele", concluiu, visualmente comovido.

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