sábado, 18 de julho de 2026

Maria João Bastos abre o coração no "Alta Definição": "Foi realmente muito difícil"

24 de abril de 2026
Maria João Bastos
Maria João Bastos

Maria João Bastos compareceu no programa "Alta Definição" da SIC para uma conversa profunda e reveladora com Daniel Oliveira.

Durante o encontro, a protagonista da ficção nacional não poupou detalhes ao abordar um dos capítulos mais dolorosos da sua história pessoal: o falecimento do seu pai quando tinha apenas 18 anos. A atriz recordou o momento com emoção: "Partiu de forma inesperada e muito cedo. Fui eu quem recebeu a chamada, enquanto estava em casa. Naquele instante começou a minha vida de adulta, e foi realmente muito duro". Nesse momento difícil, procurou ajuda junto de uma médica vizinha, amiga da família, para comunicar a trágica notícia à mãe.

Apesar da dor que persiste, Maria João Bastos preferiu destacar os momentos felizes partilhados com o pai: "Tive tão pouco tempo com ele, mas foi reconfortante saber que era mimada por ele. Gosto de focar na sorte que tive, nas memórias que guardo. Fizemos tantas coisas lindas, desde a mota que me ofereceu até ao meu primeiro espetáculo que ele presenciou. Prefiro concentrar-me no que vivi e no que foi belo. Mesmo assim, sinto muito a sua falta". A sua ausência criou um vazio numa casa onde viviam quatro mulheres, deixando um espaço vazio de orientação e suporte quotidiano.

Sobre esse período de adaptação, continuou: "Éramos quatro mulheres, e faltava aquela pessoa que era o pilar de força. Faltavam também os pequenos gestos diários, como um conselho simples. No princípio, afastei-me um pouco porque sou uma pessoa reservada, para conseguir lidar com aquela nova realidade. Precisei de aprender a viver, de forma forçada, esse papel de adulta".

O caminho do luto e da maturidade também trouxe consigo questões profundas. Maria João Bastos confessou as suas incertezas: "É complicado fazer o luto. Questiono-me frequentemente se realmente me permiti mergulhar naquele sofrimento, ou se ao contrário me obriguei a avançar e guardei a dor num canto que me deixasse viver aquela nova realidade, sempre com preocupação com a minha mãe. Mas isso fez-me crescer e moldou quem sou atualmente". Com o passar dos anos, as aprendizagens e as lembranças permaneceram: "Hoje, descubro que tenho mais coisas em comum com ele do que imaginava. Fico triste por não o ter conhecido já como adulta, pois teríamos conversas muito mais profundas. Naturalmente, ele ensinou-me muito através da sua retidão, dos seus princípios e até da paixão pelo cinema. Recordo-me de irmos juntos ao videoclube para alugar filmes". Aproveitou também para louvar a força da sua mãe: "Ela sofreu imenso, ficou sozinha com três filhas. Teve ainda de lidar com o negócio, que ficou em aberto, mas foi uma mulher de coragem. Não tenho a certeza se eu, com 43 anos e três filhas, teria conseguido".

Na reta final da conversa, Maria João Bastos também abordou outro momento traumático: a morte da sua cadela Amélie em 2016, um episódio que resultou em processos judiciais: "Não consigo ter mais animais de companhia. Desde que Amélie morreu que não fui capaz de o fazer. Perdi-a de forma muito violenta, cruel, injusta e evitável. Permitiram que falecesse nos meus braços, depois de horas e horas de sofrimento. Tudo isto foi deliberado. Fizeram-me acreditar que era o normal, que não devia intervir". O que se seguiu foi um processo judicial complicado: "Vivi aquele sofrimento ao seu lado. Quando compreendi que não havia recuperação, levei-a à clínica e verifiquei que já nada se podia fazer. O processo teria podido ser menos penoso. Fomos para tribunal e a experiência não foi fácil para mim".

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