Mónica Franco rompe silêncio: "Falhamos, mas estamos a tentar de novo"

Neste sábado à noite, Mónica Franco decidiu partilhar a sua verdade. Através de uma mensagem longa no Instagram, a empresária falou pela primeira vez sobre o desfecho da venda dos três restaurantes Cem Maneiras — um império gastronómico construído durante quase vinte anos ao lado do chef Ljubomir Stanisic — e as transformações profundas que esse passo trouxe para a sua vida.
O negócio tornou-se público apenas no dia 8 de maio, mas os movimentos por trás da cortina começaram bem antes. Em março deste ano, Ljubomir Stanisic e os seus parceiros Nelson Rodrigues e Nuno Faria saíram dos órgãos de gestão da Low Cost Food Concepts, Restaurantes, Lda, a empresa responsável pelo universo "100 Maneiras". Simultaneamente, o chef e Mónica dissolveram a sua sociedade na empresa Questão de Palavras — mudança que se consolidou a 17 de novembro de 2025, quando a empresa deixou de ser "Limitada" e passou a "Unipessoal por quotas", com Mónica como sócia única.
O fracasso que mudou tudo
Sem rodeios, Mónica começou a sua reflexão com honestidade crua: "Em janeiro passado, falhamos. Vendemos três restaurantes, uma marca que construímos durante quase 20 anos."
A empresária regressou ao passado para explicar como chegou até este ponto. Licenciada em história de arte, jornalismo e documentário, nunca imaginou que a vida a levaria por este caminho. Tudo se alterou quando conheceu Ljubomir Stanisic num momento particularmente difícil para o chef.
"Ele tinha visto o seu primeiro restaurante falir, em Cascais, e estava prestes a deixar Portugal. Pedi-lhe para esperar, para ficar. Ofereci a minha ajuda. Em janeiro de 2009, ele decidiu abrir um pequeno restaurante no Bairro Alto e chamou-me", recordou, descrevendo o instante em que deixou de observar a história de longe para estar verdadeiramente dentro dela.
O que começou como um ato de solidariedade transformou-se numa empreitada muito maior do que qualquer um deles poderia prever. "Pensei que estava a ajudar alguém a sobreviver ao fracasso. Não sabia que estávamos a construir uma língua, uma marca que em breve seria reconhecida como referência, em Portugal e no estrangeiro."
A fórmula secreta: a verdade
Ao longo de quase duas décadas, chegaram os prémios e o reconhecimento internacional. Mas Mónica Franco insiste que o verdadeiro segredo nunca foi outro senão a autenticidade. "Estávamos sempre a dizer a verdade. E a verdade às vezes era engraçada e inteligente, muitas vezes vulnerável e caótica e, acima de tudo, profundamente humana."
Num universo cada vez mais invadido pela inteligência artificial e pela frieza das interações digitais, Mónica defende que foi precisamente essa imperfeição que os manteve relevantes — e que continuará a ser o seu maior trunfo. "Hoje, quase 20 anos depois, num mundo digital dominado pela Inteligência Artificial, num mundo que fica a cada dia mais artificial… acredito mais do que nunca que a humanidade é a verdadeira chave."
A empresária reconhece a ironia do seu próprio trajeto — ela, que almejava jornalismo, cinema, livros e documentários, encontrou a sua voz dentro de um restaurante. Mas agora consegue abraçar essa realidade. "Nunca planeei trabalhar em restaurantes. E ainda o quero e felizmente ainda o faço. Quando olho para trás agora, percebo algo bonito: nunca parei de contar histórias. Acabei de mudar o lugar onde as histórias estavam a ser contadas."
Novo rumo no Alentejo
A reflexão termina com uma nota esperançosa — e com a revelação de um projeto fresco que Mónica e Ljubomir estão a construir em conjunto, desta vez no Alentejo, perto de Santa Margarida da Serra, em Grândola, numa herdade que o casal possui.
"Se há uma coisa que aprendi com o fracasso… é isto: as pessoas não se apaixonam pela perfeição. Apaixonam-se pela humanidade, com defeitos, com contradição, com resistência, com pessoas a tentar de novo."
E foi com essa convicção que encerrou a sua reflexão com uma frase que encapsula bem o espírito com que o casal enfrenta este novo capítulo: "Estamos a tentar outra vez. Porque às vezes aquilo que parece falhanço… na verdade é liberdade."
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