sábado, 18 de julho de 2026

Pedro Chagas Freitas fala sobre a urgência de aceitar o choro como algo natural

8 de maio de 2026
Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas

O escritor português Pedro Chagas Freitas vem levantar a voz sobre um tema que o afeta pessoalmente: a forma como continuamos a julgar quem chora. Numa reflexão sincera, ele apela urgentemente para que se mude esta mentalidade enraizada.

Tudo começou com um episódio vivido na rua. O seu filho estava a chorar quando, de repente, dois transeuntes fizeram comentários que o deixaram incomodado. "Ui, que coisa feia, um menino a chorar" e "Se chorares, não vais receber um doce" foram as reações automáticas que ouviu. Estas frases revelam preconceitos que ainda atravessam o nosso quotidiano.

Perante isto, o escritor não deixou passar em branco. Para ele, estas atitudes precisam de mudar radicalmente. "Não é uma coisa feia chorar. O meu filho recebe doces e mimos chore ou não", afirma com convicção, rejeitando a ideia de que o choro deveria ser penalizado ou considerado como algo negativo.

Na sua perspetiva, o choro não define o valor de ninguém. "Ninguém é mais ou menos belo porque chora ou deixa de chorar; ninguém merece mais ou menos prémios, mais ou menos afecto, só porque chora mais ou chora menos", reforça. Segundo Pedro Chagas Freitas, somos todos feitos de lágrimas e de riso em igual medida, e é por isso que a normalização do choro é tão importante para adultos, crianças e para toda a gente.

A forma como o escritor educa o seu filho reflete bem estes valores. Quando o pequeno chora, ele acolhe o momento com compreensão e ternura. "Eu acolho o choro dele, aperto-o, tento percebê-lo, fazer com que entenda que nunca será o choro ou a falta dele a defini-lo", explica. Para ele, o que realmente importa é transmitir ao filho um amor incondicional, acima de qualquer julgamento externo.

"Eu amo-o assim, acima de mim, acima de tudo, acima do mundo, acima dos olhares desamados de tantos outros", conclui. E deixa uma mensagem final: "Tenta amar-te também assim. Porque pode haver heróis sem muita coisa, mas nunca sem amor".

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