Rebeca Caldeira critica tom de troça em volta de tema de saúde mental: "Ainda há muito preconceito"

Rebeca Caldeira não deixou passar em branco a forma como o seu desabafo sobre saúde mental foi tratado num espaço de televisão. A criadora de conteúdos mostrou-se claramente incómoda com o modo como a sua procura por terapia foi transformada em motivo de debate no programa V+ Fama, considerando que o formato trivializou uma questão importante e reforçou estigmas relacionados com o acompanhamento psicológico.
O ponto de partida foi simples: Rebeca tinha partilhado nas redes sociais que os meses recentes foram emocionalmente desafiantes, levando-a a procurar apoio profissional para lidar com episódios de ansiedade e outras questões pessoais.
Do Instagram para a televisão
Quando o tema chegou ao V+ Fama, a situação ganhou uma dimensão diferente. O programa apresentou a situação com um enquadramento que, na perspetiva de Rebeca, distorcia completamente o que ela realmente tinha dito. O título sugeriu que a influenciadora tinha procurado terapia "para lidar com a fama" — uma interpretação que ela categoricamente nega ter feito.
Durante o programa, António Leal e Silva não poupou críticas. "Acho que as pessoas têm de ter um bocadinho de bom senso e de noção. Acho isto tudo um disparate enorme. Em Portugal há quatro ou cinco pessoas verdadeiramente famosas e essas, sim, se me dissessem que faziam terapia, eu aceitava", foi o comentário deixado pelo comentador.
A resposta clara de Rebeca
Perante a repercussão, Rebeca Caldeira decidiu esclarecer tudo através do Instagram, numa reflexão longa e sincera. "Esta semana descobri uma coisa curiosa: aparentemente há pessoas que acham que terapia só faz sentido se fores 'mesmo famoso'. Caso contrário, não aceitam", começou por escrever.
A influenciadora foi precisa ao corrigir o registo: "Eu nunca disse 'fiz terapia para lidar com a fama'. O que disse foi que procurei apoio especializado para lidar melhor com várias coisas da minha vida, entre elas a minha nova realidade e outros assuntos pessoais".
O tom de gozo que a incomoda
O que mais a preocupou foi a atitude geral. "O que retiro disto é que continua a ser muito triste falar-se de terapia neste tom de gozo", afirmou, lamentando uma visão que considera obsoleta sobre saúde mental.
Para Rebeca, procurar ajuda continua a ser injustamente equiparado a fraqueza ou exagero. "Como se pedir ajuda fosse sinal de fragilidade, egocentrismo ou exagero. Como se apenas algumas pessoas tivessem direito a cuidar da saúde mental", sublinhou.
Alguns dos comentários ouvidos no programa deixaram-na particularmente perturbada: sugestões para que fosse "trabalhar para um supermercado", afirmações de que "agora toda a gente faz terapia", e insinuações de que certos motivos não seriam dignos de apoio psicológico.
Uma verdade simples
A resposta de Rebeca foi direta: "Ninguém sabe aquilo que os outros vivem. Ninguém sabe o que uma pessoa sente, carrega ou está a tentar resolver dentro dela".
Terminando a sua reflexão, Rebeca deixou um apelo: "Acho sinceramente que, se mais pessoas olhassem para a terapia sem preconceitos, talvez existisse menos vergonha em pedir ajuda. E isso podia fazer muito bem a muita gente".
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