RTP encerra 2025 com prejuízo de quase 4 milhões de euros, quebrando série de 15 anos de lucros

O ano de 2025 trouxe uma reviravolta nas contas da RTP. Pela primeira vez em 15 anos, a emissora pública encerrou o exercício com números vermelhos, acumulando um prejuízo de 3,97 milhões de euros — um contraste acentuado com os 341 mil euros de ganho obtidos em 2024, conforme divulgado no Relatório e Contas.
A liderança da empresa, sob a direção de Nicolau Santos, não esconde a preocupação. "Infelizmente, depois de 15 anos a anunciar resultados positivos, a RTP registará em 2025 um prejuízo de 3,9 milhões de euros", admite a administração no documento. Os culpados apontados são claros: receitas que permaneceram congeladas desde 2016 combinadas com uma escalada generalizada de custos operacionais durante esse período.
A questão da sustentabilidade financeira ganha relevo neste contexto. Segundo a administração, manter a capacidade de cumprir a missão de serviço público tornou-se cada vez mais desafiante. Questionada sobre os fatores que agravaram a situação, a empresa reconheceu o impacto do Plano de Saídas Voluntárias implementado recentemente.
Porém, a administração deixa claro que reduzir drasticamente os investimentos em curso não era uma alternativa viável. "Isso seria hipotecar o futuro da RTP, porque parte importante destes investimentos não são uma opção, mas uma obrigação imperiosa, sob pena da operação poder colapsar", justificam os responsáveis.
No que diz respeito às receitas comerciais, o segmento denominado "Outras" sofreu a queda mais acentuada, caindo para 2,39 milhões de euros em 2025, comparado com 3,4 milhões no ano anterior e significativamente abaixo dos 7,4 milhões registados numa análise mais retrospetiva.
Várias iniciativas contribuíram para esta redução. As Chamadas de Valor Acrescentado encolheram 404,8 mil euros, reflexo do encerramento de passatempos neste formato desde o verão. A prestação de serviços de produção diminuiu 418 mil euros, principalmente pela redução de atividades de telepromoção e marketing, nomeadamente no programa "MasterChef". A venda de conteúdos também registou quebra de 180 mil euros, especialmente porque 2024 havia beneficiado de um acordo com o Turismo de Portugal no valor de 90 mil euros.
Olhando para o futuro próximo, o cenário não se apresenta menos exigente. A RTP alerta que a situação atual evidencia um "desfasamento crescente entre o nível de atividade e de responsabilidades que lhe é exigido e os meios financeiros para o assegurar". Num contexto económico adverso, a gestão da empresa promete ser ainda mais complexa nos próximos tempos.
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