sábado, 18 de julho de 2026

Tony Carreira abre o coração sobre a perda da filha e anuncia último álbum de inéditos

25 de abril de 2026
Tony Carreira
Tony Carreira

A perda de Sara Carreira deixou marcas profundas na vida de Tony Carreira, um peso que continua a moldar o seu dia a dia. Numa conversa comovente no programa Vencidos, apresentado por Luís Osório, o cantor abriu-se sobre o luto, a espiritualidade e a jornada que o tem permitido prosseguir após a tragédia.

Os Dois Caminhos Possíveis

Quando confrontado com a morte da filha, Tony reconhece que se viu diante de uma encruzilhada. "Com a partida da minha filha, eu tinha duas formas de continuar cá. Nunca me passou pela cabeça acabar com a minha vida, graças a Deus que não passou…", partilhou, revelando que poderia ter optado por um caminho marcado pela amargura e revolta. Mas escolheu diferente.

Em vez de se deixar consumir pela dor, decidiu procurar formas de cuidar de si e encontrar ferramentas para viver da melhor forma possível. Uma dessas ferramentas revelou-se fundamental: manter viva a lembrança de Sara no seu quotidiano. "Eu precisava de encontrar formas de viver sem ela. E uma delas é falar da minha filha todos os dias. Falo dela diariamente, e com alegria", confessou, sublinhando que esta necessidade é pessoal e profunda.

Os Animais de Estimação e a Espiritualidade

A herança de Sara na vida de Tony estende-se também aos seus animais de estimação. O cantor ficou com as duas cadelas da filha, Roxy e Molly, que agora ocupam um lugar especial no seu coração. "Para mim, são como netas. São filhas da minha filha", explicou com ternura.

A tragédia transformou também a forma como Tony se relaciona com questões espirituais. Depois de anos afastado da fé, encontrou no desespero a necessidade de procurar respostas. O Bispo Américo Aguiar tornou-se uma figura crucial neste caminho, num encontro que ocorreu na Basílica da Estrela, que Tony descreve como "o pior dia da minha vida". Hoje, sente-se mais próximo de uma ideia de transcendência, embora não se identifique necessariamente com a religião institucional.

A perda também o tornou mais humilde e consciente da fragilidade da vida. "Tornou-me uma pessoa mais consciente de que a nossa vida está presa por um fio… quase como um fio de pesca, tão frágil e invisível", refletiu.

O Último Disco e a Carreira

Enquanto processa este período transformador, Tony prepara-se para um novo capítulo profissional que marca também um encerramento. O próximo álbum será o seu último trabalho de canções inéditas. "Este vai ser o meu último disco, Luís. De inéditos. Vai mesmo ser o último", afirmou com convicção, revelando que está a investir cuidado especial no projeto.

Entre as composições que integram este trabalho encontra-se "Ternura", já conhecida do público, e outras peças que virão ao longo dos próximos meses, incluindo "De Onde Eu Venho", que o artista considera particularmente significativa.

Durante a conversa, Tony também recordou o início da sua trajetória, desde a infância até à decisão corajosa de abandonar a segurança de um emprego estável para perseguir a música. Destacou o papel crucial do produtor Francisco Carvalho nos anos 90, num momento em que o seu grande desejo era ser acreditado e apoiado. "Eu disse-lhe que não estava à procura de dinheiro. Só queria que acreditasse em mim… que investisse em mim. Eu queria ir teso, mas ir atrás do meu sonho", recordou.

A Ligação com os Fãs

Décadas depois de iniciar a sua carreira, Tony mantém uma relação profunda com o seu público, algo que se reflete na sua disponibilidade constante. "Nunca quis virar as costas a algo que eu tanto desejava quando comecei. De um autógrafo passámos para muitos… e isso nunca deixei de valorizar", sublinhou.

Preocupações com o Tempo e o Mundo

A entrevista tocou também em questões mais amplas que o preocupam. No dia em que o seu filho Mickael completava 40 anos, Tony refletiu sobre a passagem do tempo e o envelhecimento dos seus pais, Albino e Maria. "Estão numa idade em que, a qualquer momento, um pode partir… e o que mais me custa é pensar que um deles pode ficar sozinho", desabafou.

O cantor também expressou inquietação relativamente ao futuro da sociedade, particularmente no que diz respeito ao avanço tecnológico e à inteligência artificial. Referindo-se a alertas de personalidades como Elon Musk, Tony reconheceu que existem aspetos positivos, mas também preocupações legítimas. "Há coisas positivas, claro, mas também há muitas negativas. E isso assusta-me… não sei que mundo estamos a construir", admitiu.

Para o artista, há um valor inegociável que não pode ser perdido: a humanidade. "Estamos num planeta lindo… e a humanidade nunca pode faltar. No dia em que faltar, o que é que nós somos?", questiona, deixando claro que essa é uma preocupação que o acompanha.

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