sábado, 18 de julho de 2026

RTP em dificuldades: trabalhadores denunciam contas negativas e gastos jurídicos questionáveis

5 de maio de 2026
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A estação pública portuguesa enfrenta um momento delicado. No encontro entre a Comissão de Trabalhadores e o Conselho de Administração, realizado no dia 4 de maio, foram levantadas preocupações significativas sobre a saúde financeira da RTP e questões relacionadas com a gestão de recursos.

Os números falam por si: 2025 marcou o primeiro ano com resultados negativos para a emissora em 15 anos consecutivos de contas positivas. Um cenário que acendeu os alarmes entre os funcionários.

Os desafios financeiros

Segundo a Comissão de Trabalhadores, o problema tem origem numa combinação de fatores: custos operacionais em ascensão, investimentos necessários para manter a operação funcionando e despesas com saídas voluntárias. Paralelamente, a Contribuição para o Audiovisual permanece congelada desde 2017, sem qualquer reajuste. A organização sindical defende que compete ao Estado garantir financiamento adequado para que a RTP possa cumprir a sua missão de serviço público.

Questões sobre gastos jurídicos

Durante a reunião, surgiram interrogações sobre o volume de despesas com litígios e honorários de advogados. A Comissão de Trabalhadores considera que alguns destes gastos podem ser desnecessários ou até eticamente questionáveis, especialmente quando envolvem processos contra colaboradores em situação de vulnerabilidade laboral.

Folgas acumuladas revelam pressão

Outro ponto de destaque foi o elevado número de dias de férias e folgas por gozar. Longe de indicar excesso de pessoal, como alguns possam pensar, este acúmulo reflete a pressão constante sobre diversos departamentos da estação.

Reestruturação em suspenso

A reestruturação e o programa de saídas voluntárias dominaram também a conversa. O Conselho de Administração informou que o plano foi temporariamente travado para incorporar ajustes ao Plano de Atividades e Orçamento, conforme solicitado pelo Governo. Essa atualização está praticamente concluída.

Contudo, a Comissão de Trabalhadores continua sem acesso a informações concretas sobre os detalhes da reestruturação. A organização alertou que a RTP funciona actualmente em "gestão corrente, condicionada por limitações impostas pela tutela governamental", o que compromete a capacidade de planeamento, investimento e tomada de decisão estratégica. Segundo o comunicado, esta situação "asfixia a autonomia de gestão e compromete a execução de processos estruturais essenciais ao futuro da RTP".

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